quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Pênalti

Num momento, sozinho
de nervos pulsantes,
onde as racionalidades e as emoções
o acompanha num caminho
que é tão perto e tão distante.
De frente ao portal
que é protegido pelo guardião,
que possui o dom exclusivo
de usar as suas mãos.
Tão sagrado, quanto a linha que protege...
que separa o tudo do nada,
que traça o destino glorioso
ou sacramenta uma cilada.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Crises

Depois de tanto tempo
Na rotina das certezas,
e da busca pelo inexistente,
conheci o novo.
Dei espaço as emoções,
cogitei outros caminhos.
E no afastar dos costumes
fui bombardeado nos ouvidos,
na alma e no coração.
No olho do furacão
enxergo incógnitas inquietas...
Duvidas, passiveis de resolução
ou simples vitimas da abstração.
Nossas escolhas não são fáceis,
somos reféns de valores,
de nossa racionalidade,
e de nossas emoções.
Por isso vivemos de crises...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Mito (Dedicado a Rogério Ceni)

Um mito
Não se faz em um dia,
Não se faz em uma decada,
Não se faz em uma vida.
Não se faz um mito!
O mito vem de baixo...
Desacreditado, Humilde,
Porém determinado, faminto,
Buscando o caminho das glórias.
Não se pode fazer um mito,
Planejar seu objetivo.
Pois o mito se auto-constrói,
Difere do caminho dos outros,
Foge dos planos.
O mito vai além de suas obrigações...
Transcende o que lhe é imposto,
Brilha incessante sem precisar ofuscar ninguém.
Não tem medo de compartilhar
Pois o que um mito constrói, serve de referência.
Não tem medo da vida
Pois a vida é curta demais para não enfrentá-la.
Não tem medo da morte
Pois o legado de um mito,
É deixado pra eternidade.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A bola como alternativa

Durante a semana, o menino foge da jaula que o prende para poder jogar bola, prefere o jogo de bola do que as aulas da escola, que em nada o atrai. É como se, ao fugir do universo formal para a ilha paradisíaca chamada campinho, aprendesse muito mais no pecado do que na santidade. Pecado alias, é interferir na santidade daqueles pés descalços, pernas cinzentas, que evocam todos os dias os maiores nomes do futebol real, como espíritos que possuem estes pequenos corpos e os transformam aquela singela brincadeira num verdadeiro mundo paralelo, sagrado e surreal. Tão surreal, e tão paralelo quanto a casa da vizinha do campinho. Pecado mortal é deixar, num chute errado ou canelada, a bola cair naquela casa, pois se a vizinha, como de costume, não devolverá a bola, caberá aos meninos a obrigação de adentrarem novamente a jaula que os prendem todos os dias. Sendo assim, está explicado o porque desses garotos serem tão bons de bola!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Campinho



Um terreno,
Uma rua,
Uma tarde...
Rapidez, a tarde passa rápido!
O sol se põe, na mesma velocidade,
Do preparo da janta...
Ali não tem mãe, nem pai, nem escola.
O irmão fica, e joga no seu time.
No terreno cheio de barro,
Ou na rua cheia de carro,
Ali só fica quem lhes convém...
Uma bola, para dez meninos.
Em um minuto, forma-se o time.
É o único lugar do mundo,
Onde se esquece do mundo,
Onde há pureza e magia.
É o único lugar do mundo,
Onde dez meninos, irradiam felicidade,
Onde duas pedras, formam um portal...
Para o grito de misericórdia.

Ouvi dizer que só era triste quem queria...

Um terreno, é tudo o que deseja o menino, para que um final de tarde se transforme no inicio de um verdadeiro sonho real. Descobriu o terreno, que é grande e suficiente para que o sonho se torne mesmo real. Lá tem até uma arvore para fazer sombra. Amanha, irá o menino avisar os colegas sobre a grande descoberta, um terreno para o campinho. Parece simples, mas esse pequeno espaço chamado terreno, fez o menino passar a noite em claro pensando como poderia ser o tal campinho, um espaço que há um bom tempo não faz parte da realidade dele e dos coleguinhas, que já tiveram um campinho, mas aí veio o seu João lá de outra cidade e construiu o Mercado dele encima. A felicidade substituiu o sono do garoto aquela noite, e já no dia seguinte de mãos dadas com a ansiedade, motivou o menino a continuar correndo por todo o trajeto, casa por casa, para que pudesse avisar os meninos, que havia achado um terreno na rua de trás, perfeito pra um campinho bem grande, onde tinha sombra e até uma torneira. Reunidos todos, foram eles, deixando celulares e computadores em casa, se desenroscando do mundo virtual. Um vai com alguns pedaços de madeira, o outro vai com um pouco de cal que pegou escondido do pai. Um terceiro, ou melhor, o menino descobridor liderando aquela legião de futebolistas infantis até o desejado destino, para bruscamente, como se houvesse levado um choque, que de fato aconteceu. Fizeram um muro no terreno...

A bola cai da mão, junto com a tímida lagrima.

Tempo de Copa

Um dos nossos costumes tão idolatrados, de quatro em quatro anos são postos em prática e a prova, já que, muitos não vivem tendo o natal, o carnaval e a pascoa como referencia, mas sim a Copa do Mundo, onde mais do que ninguém, conhecemos os caminhos para a glória. Quatro anos se resumem em sete jogos, se chegarmos ao objetivo final, é claro, a tão desejada taça do Mundo. Se isso não for possível, temos sempre mais quatro anos para juntar os cacos e reconstruir nossa estrutura vitoriosa, capaz de inverter a lógica de um Mundo globalizado e dividido. Nesses sete jogos e nos outros que nos preparam a eles, o Mundo conhece quem realmente dita os seus rumos. Nessa esfera chamada futebol, as múltiplas estrelas da terra do Tio Sam dão lugar as cinco do canarinho verde e amarelo. Se tudo ocorre na normalidade, somos os donos do mundo da bola. É claro que, vez ou outra nosso canarinho cai perante o galo de três cores da terra dos bleus, ou passa mal ao experimentar as laranjas azedas dos Países Baixos. Mas, por cinco vezes, nossa fauna, que tem tantos animais ferozes, juntamente com todos os nossos santos, falaram mais alto que os deuses da bola, e através da Mágica camisa 10 de Pelé, da malandragem presente na 7 de Garrincha, o oportunismo personificado na 11 de Romário, e a perseverança da 9 de Ronaldo, mostraram sua real influência. Por mais que soframos, palpitamos, criticamos as escolhas (tanto técnicas como políticas, e com razão), quando vemos aquela taça sobre um palanque, fazemos de tudo para que seja transferida para o seu verdadeiro lugar, as mãos do povo brasileiro.