Durante a semana, o menino foge da jaula que o prende para poder jogar bola, prefere o jogo de bola do que as aulas da escola, que em nada o atrai. É como se, ao fugir do universo formal para a ilha paradisíaca chamada campinho, aprendesse muito mais no pecado do que na santidade. Pecado alias, é interferir na santidade daqueles pés descalços, pernas cinzentas, que evocam todos os dias os maiores nomes do futebol real, como espíritos que possuem estes pequenos corpos e os transformam aquela singela brincadeira num verdadeiro mundo paralelo, sagrado e surreal. Tão surreal, e tão paralelo quanto a casa da vizinha do campinho. Pecado mortal é deixar, num chute errado ou canelada, a bola cair naquela casa, pois se a vizinha, como de costume, não devolverá a bola, caberá aos meninos a obrigação de adentrarem novamente a jaula que os prendem todos os dias. Sendo assim, está explicado o porque desses garotos serem tão bons de bola!
Um terreno,
Uma rua,
Uma tarde...
Rapidez, a tarde passa rápido!
O sol se põe, na mesma velocidade,
Do preparo da janta...
Ali não tem mãe, nem pai, nem escola.
O irmão fica, e joga no seu time.
No terreno cheio de barro,
Ou na rua cheia de carro,
Ali só fica quem lhes convém...
Uma bola, para dez meninos.
Em um minuto, forma-se o time.
É o único lugar do mundo,
Onde se esquece do mundo,
Onde há pureza e magia.
É o único lugar do mundo,
Onde dez meninos, irradiam felicidade,
Onde duas pedras, formam um portal...
Para o grito de misericórdia.